Redigindo uma proposta de resolução

Uma proposta de resolução é um documento de trabalho oficial e sua função é acordar o que foi decidido durante as discussões. Este documento deve ser produzido, basicamente da seguinte maneira:

– Deve possuir título, sendo ele, proposta de resolução;

– Deve possuir cláusula(s) preâmbular(es): estas devem estar escritas no gerúndio;

– Deve possuir cláusulas operativas: estas definem o que foi decidido pelo comitê e devem estar no imperativo; e

– Deve possuir 1/5 de assinaturas dos delegados presentes no comitê

Observem o exemplo de um documento do Conselho de Segurança:

“O Conselho de Segurança,

Registrando que as alterações climáticas presenciadas em todo mundo têm forçado milhares de pessoas a abandonarem seus lares e, assim, se deslocar para outras regiões e até mesmo outros países,

Frisando que os deslocamentos populacionais em grande escala, sem qualquer regulamentação, podem afetar a estabilidade e a segurança internacional, Considerando que essas pessoas necessitam de um estatuto jurídico mundial que os reconheça, posto que somente ao serem reconhecidos como tais e amparados juridicamente, é que podem obter assistência humanitária para corrigir a situação de desamparo jurídico, econômico e social em que se encontram as vítimas da degradação ambiental mundial,

Agindo sob o Capítulo VII da Carta das Nações Unidas,

  1. Determina o reconhecimento da categoria de refugiado ambiental perante a comunidade internacional;
  2. Concede aos refugiados ambientais todos os direitos e assistência presentes no Estatuto dos Refugiados de 1951;
  3. Exige aos países membros das Nações Unidas que promovam políticas que beneficiem a nova categoria.”

Após a elaboração do documento, este será avaliado pela mesa e se estiver de acordo com as normas, será apreciado e poderá ser introduzido, se os delegados pedirem uma moção para introdução do mesmo, posteriormente será discutido e até mesmo aprovado se no momento da votação, houver votos qualificados, ou seja, aprovação por 2/3 do Quórum.

As cláusulas preâmbulares podem não podem ser alteradas, mas as operativas podem ser excluídas, em caso de proposta de divisão da questão e a proposta de resolução pode ainda ser emendada. Adicionando ao documento uma emenda, o que necessita de voto simples (1/2 + 1 votos) pode haver também a adição de cláusulas, como um complemento ao documento anterior.

Campanhas Humanitárias

Sem títuloCom o intuito de promover a ajuda humanitária e intensificar a participação de cidadãos na causa, diversas campanhas já foram lançadas pela ONU e ONG’s. Confira a seguir, algumas das principais campanhas e seus significados e #CompartilheHumanidade você também!

#ShareHumanity (#CompartilheHumanidade): Lançada  pela ONU no Dia Mundial Humanitário (19/08) em 2015, essa campanha tem o intuito de engajar mais os jovens nas questões humanitárias. O objetivo é “doar” suas redes sociais compartilhando histórias de vítimas, muitas vezes, não ouvidas pela comunidade internacional, assim como divulgar e “inspirar um maior sentido de responsabilidade, solidariedade e ativismo social, usando o impacto de longo alcance das mídias sociais” (OCHA, 2015)

#NotATarget (#NãoSãoUmAlvo): Lançada pela organização humanitária Médicos Sem Fronteiras, essa é também uma campanha de mídias sociais que visa apoiar a proteção de civis e infraestruturas civis, pacientes, profissionais médicos e hospitais em zonas de conflitos.

 

#ChildrenNotSoldiers (#CriançasNãoSoldados): Lançada pela UNICEF em parceria com a Secretaria Geral para Crianças e Conflitos Armados e a missão das Nações Unidas Resultado de imagem para dia da mao vermelhano Sudão do Sul (UNMISS), essa campanha tem o objetivo de estimular o apoio ao fim do recrutamento de crianças soldados em conflitos. A campanha tem foco em 8 Estados: Afeganistão, Chade, República  Democrática do Congo, Mianmar, Somália, Sudão do Sul, Sudão e  Iêmen. Além disso, ainda no que concerne ao recrutamento de crianças soldados, a ONU lançou também, em 2002, o Dia da Mão Vermelha (12/02) como um “pedido mundial a todos os líderes políticos e militares para deixarem de recrutar crianças para a guerra” (CALENDARR).

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REFERÊNCIAS

http://www.un.org/apps/news/story.asp?NewsID=51627#.V_aJ2_krLIU

http://garotadamissionaria.blogspot.com.br/2014/11/falaserio-criancas-nao-soldados.html

https://childrenandarmedconflict.un.org/children-not-soldiers/

http://www.calendarr.com/portugal/dia-da-mao-vermelha/

Comércio Internacional de Armas

Resultado de imagem para comércio internacional de armasO comércio de armas possui uma grande presença internacional, de acordo com dados, cerca de US$100 bilhões são comercializados por ano em armamentos. Apesar da lucratividade, esse comércio é responsável por diversas violações aos direitos humanos, desde crimes contra massas à crimes de gênero, como o estupro. Segundo dados, 60% das violações de direitos humanos se devem ao uso de armas pequenas e ligeiras. Além de interesses defensivos, essa atividade envolve ainda interesses estratégicos, políticos e industriais. Somado à isso, a fiscalização é baixa e corrupções são constantes, facilitando o acesso de armas à criminosos e grupos terroristas.

Mais de 70% desse comércio está nas mãos dos membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas: Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido. Dentre os maiores compradores, EUA e China também aparecem, assim como Arábia Saudita, Paquistão, Turquia e Singapura. Somente no Oriente Médio, no período de 2001 a 2014, as despesas bélicas subiram cerca de 75%. Globalmente, no mesmo período, o gasto mundial em armas aumentou 50%, chegando a US$173 bilhões.

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Em 2014 entrou em vigor o Tratado sobre o Comércio de Armas (TCA) que apresenta regulações sobre a compra e venda de arsenais bélicos como tanques de batalha, aviões de combate, navios de guerra e mísseis, assim como de armas pequenas e armamento leve. Além disso, o tratado proíbe a venda de armas a locais com grande probabilidade de violações de direitos humanos, genocídio e crimes de guerra. Outra finalidade do tratado é facilitar o compartilhamento de informações entre os Estados para avaliar os riscos de transferência e impedir corrupção.

 

REFERÊNCIAS:

http://www.dhesarme.org/controle-de-armas/comercio-internacional-de-armas/#a-solucao

https://www.amnesty.org/en/latest/news/2015/08/killer-facts-the-scale-of-the-global-arms-trade/

http://exame.abril.com.br/economia/noticias/os-10-paises-que-mais-compram-armas-pesadas-e-de-quem#11

https://www.es.amnesty.org/en-que-estamos/temas/armas/

 

MSF (Un)Limited

A indicação de hoje é o documentário MSF (Un)Limited que mostra a história da organização dos Médicos Sem Fronteiras e as principais atividades de ajuda humanitária no mundo.  Poucas pessoas sabem do drama diário dos médicos e enfermeiros do MSF, assim como dos próprios pacientes. Todos estão muito vulneráveis e em estruturas, muitas vezes, precárias e sem acesso a necessidades básicas (alimentação, alojamento, água…).

O documentário mostra tristes relatos e como a ação do MSF cresceu desde que foi criado. Há relatos de inúmeras emergências atendidas e entrevistas com pessoas que foram fundamentais em todo esse processo de internacionalização da ação da organização.

Munições cluster: perigos e infrações

Munições cluster são aquelas lançadas por aviões, maquinários de artilharia ou por mísseis. Elas possuem um grande alcance por serem lançadas ou arremessadas de um nível de altura considerável, podendo exceder 30 mil metros quadrados, segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha. Elas liberam submunições explosivas sobre a

thumb1área alvo e, dependendo do modelo, o número de submunições lançadas variam de 12 a 600 unidades cada uma pesando menos de 20 quilos. Esses explosivos são ativados antes, durante ou depois do impacto com o solo, e por serem lançadas em quantidades consideráveis, elas eram consideradas importantes para atingirem alvos dispersos em uma grande área.

Milhares de civis já morreram ou foram feridos ao encontrarem esses dispositivos explosivos. A presença dessas armas faz com que a agricultura e outras atividades desenvolvidas em grandes espaços sejam perigosas. Elas também atrapalham o desenvolvimento da infraestrutura dos países atingidos. O formato e a cor intrigantes desses explosivos atraem muitas vezes as crianças que naturalmente as recolhem, resultando em morte ou mutilação das mesmas. Países como Afeganistão, Albânia, Azerbaijão (NagornoKarabakh), Bósnia-Herzegovina, Cambódia, Chade, Croácia, Eritréia, Etiópia, Iraque, Israel, Kuait, Laos, Líbano, Montenegro, Marrocos (Saara Ocidental), Rússia (Tchetchênia), Sérvia (incl. Kosovo), Serra Leoa, Sudão, Síria, Tajikistão e Vietnã já foram atingidos por munições cluster causando ferimentos e mortes, segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha. O caso mais recente foi no Sul do Líbano, causando a morte de cerca de 200 civis em pelo menos 904 áreas diferentes.

Quanto ao combate dessas armas, haviam algumas regras que não respeitadas, tais como a separação dos civis e bens civis dos combatentes e alvos militares a fim de tentar minimizar os efeitos sobre os civis. A convenção sobre Certas Armas Convencionais de 2003, anexou um Protocolo sobre Remanescentes Explosivos que facilitou a remoção desses dispositivos ao termino do conflito, porém não ofereceu condições para evitar que essas munições ofereçam perigo aos civis durante os conflitos. Mas as ações para regular as munições cluster no âmbito internacional foram evoluindo gradativamente. Em respostas as aos sofrimentos causados pelas munições cluster, em maio de 2008, 107 Estados negociaram e adotaram a Convenção sobre Munições Cluster em uma conferência diplomática em Dublin na Irlanda. Essa convenção estabeleceu novas regras para assegurar que as munições cluster não seriam mais usadas e que os problemas humanitários existentes associados ao uso dessa arma seriam tratados. A Convenção entrou em vigor em agosto de 2010. A Convenção baniu o uso das munições cluster de maneira ampla, ou seja, proibiu o uso, a produção, a estocagem e a transferência. Foi instituído que cada Estado, dentro do prazo de 8 anos a começar pela data em que a Convenção entrou em vigor, destruísse os estoques de munição cluster sob sua jurisdição e controle. Cada Estado deveria também limpar o seu território contaminado pelas submunições não detonadas e abandonadas dentro do prazo de 10 anos a partir da data em que a Convenção entrou em vigor. Os Estados deveriam também prestar assistência médica, reabilitação física, apoio psicológico e inclusão socioeconômica ás vítimas de munição cluster em seu território. Apesar disso, alguns países que produzem munições clusters não assinaram a convenção, e portanto, não se comprometeram em parar de produzir e comercializar esse armamento. Dentre esses países, estão China, Egito, Índia, Israel, Coreia do Sul, Rússia e Estados Unidos. Alguns desses Estados alegam que essas munições são importantes na defesa nacional. Além da recusa de alguns países em cessar a produção e comércio de munições cluster, existe ainda a dificuldade de monitoração, já que o mercado é reduzido e não é possível saber ao certo a quantidade de munições produzidas por cada país.br-municao-cluster-exercito-brasileiro

REFERÊNCIAS: 

ICRC. Munições cluster: o que são e qual é o problema? 22 de junho de 2010. Disponível em: https://www.icrc.org/por/resources/documents/legal-fact-sheet/cluster-munitions-factsheet-230710.htm

Rede Sustentabilidade. Brasil exporta bombas cluster, que mais atingem civis e crianças, e não assina convenção internacional. 2014. Disponível em: https://redesustentabilidade.org.br/2014/11/14/brasil-exporta-bombas-cluster-que-mais-atingem-civis-e-criancas-e-nao-assina-convencao-internacional/

BONIS, Gabriel. Brasil não assina tratado contra armamento que vitima civis. 2013. Disponível em: http://www.cartacapital.com.br/internacional/brasil-nao-assina-tratado-contra-armamentos-que-vitima-civis-3452.html

Importância das organizações: Cruz Vermelha

É comum obtermos informações importantes sobre os conflitos decorrentes no mundo através dos mecanismos de comunicação, porém, poucas pessoas sabem sobre o papel das Organizações Internacionais e sua importância diante ao conflito.

As Organizações Internacionais (OIs) são criadas para exercerem o papel de mecanismo de garantia da paz a partir da cooperação entre os mesmos.  As OI’s servem como “arenas’’ para diversas discussões, humanitárias, políticas, econômicas e várias outras. Para ver posts sobre as demais organizações presentes no comitê, clique AQUI.

Uma Organização Internacional de muita importância e voltada para ações humanitárias, é a Cruz Vermelha que atua pelo mundo inteiro tanto em  tempos de guerra quanto em tempos de paz.  Durante as guerras socorrem feridos, prestam assistência médica e social, organizam campos de refugiados, distribuem alimentos e medicamentos, buscam desaparecidos e restabelecimento de contatos com familiares; em tempos de paz realizam trabalho de socorro e salvamento no mar, em rodovias ou em locais de grandes aglomerações eventuais, como feiras, encontros, e em casos de desastres naturais.

A história da Cruz Vermelha é de grande importante para humanidade, já que desde 1858 vem atuando em diversas situações. Por volta de 1858, a Itália foi alvo de vários conflitos que marcaram o processo de unificação daquele país, dentro desse conflito, mais de 40 mil soldados ficaram feridos e abandonados. Em visita ao local, o comerciante e diplomata suíço Henry Dunant ficou estarrecido com o resultado desolador daquela sangrenta batalha. Buscando resolver o problema, ele mobilizou um grupo de voluntários incumbidos de ajudar as vítimas de ambos os lados do conflito. No ano de 1862, Dunant publicou um livro relatando as atrocidades ocorridas durante o conflito, mobilizou  outras importantes personalidades políticas da Suíça se uniram a Dunant e criaram o Comitê Internacional de Socorro a Feridos, composto inicialmente por apenas dezesseis países. Já na sua primeira convenção, os participantes entraram em acordo para a instituição do Comitê Internacional da Cruz Vermelha. O símbolo da cruz teria a função de destacar este “exército de salvação” dos exércitos em guerra.

Com o passar do tempo, o desenvolvimento de outros grandes conflitos, incluindo aí as duas Guerras Mundiais, fez com que a Cruz Vermelha ganhasse um prestígio cada vez maior. Já no ano de 1901, Henry Dunant teve seu trabalho reconhecido ao receber o Prêmio Nobel da Paz. Não se limitando ao ocidente as funções exercidas pela Cruz Vermelha, deram origem ao Crescente Vermelho, uma variação islâmica da entidade.

Para conhecer mais sobre a ação da Cruz Vermelha pelo mundo, confira o vídeo ‘’ Panorama: o CICV em ação no mundo’’ e entenda a importância dessa organização diante as hostilidades do mundo.

Referências:

http://www.cruzvermelhasm.org.br/cv/

http://brasilescola.uol.com.br/curiosidades/as-origens-cruz-vermelha.htm

http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/organizacoes-internacionais.htm]

Mulheres em conflitos armados

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É de senso comum que o terror da guerra vem amedrontar a todos. O medo deriva, principalmente, da alta possibilidade de morte que esse evento traz. Para alguns, no entanto, o medo pode ser ainda maior. É o caso das mulheres.

Quando nos deparamos com uma situação de conflito, grande parte dos civis apresentam-se em estado de vulnerabilidade. De uma forma geral, o advento traz a ideia de escassez de muitos produtos de primeira necessidade, a saber, água e alimentos, bem como pode levar à destruição de moradias e hospitais. Para as mulheres, no entanto, além desse temor, ainda há o medo das violações dos direitos humanos, sendo essas submetidas a grandes abusos e violências. Uma das formas de abuso mais conhecidas (e que recentemente foi reconhecida pela ONU, através da Conferência de Viena de 1993)

(…) As violações dos direitos das mulheres em situações de conflito armado constituem violações dos princípios internacionais fundamentais de Direitos Humanos e de Direito Humanitário. Todas as violações deste tipo, incluindo especialmente, o homicídio, as violações sistemáticas, a escravatura sexual e a gravidez forçada exigem uma resposta particularmente eficaz.(DECLARAÇÃO, 1993, p.15)

são os chamados “Estupros de guerra”. Estes são recorrentes em conflitos armados e vem sendo praticados desde a antiguidade. Em muitos casos esses estupros são uma forma de afirmação dos vencedores sobre os vencidos, uma forma de humilhar o inimigo. Esses estupros, diversas vezes tem a intenção de engravidar as mulheres para que elas se tornem “portadoras da cultura e reprodutoras do ‘inimigo.” (MAZURANA apud OCHA (2016), 2014, p. 1). “Um comunicado do Ministério do Interior da Bósnia, em outubro de 1992, diz que os militares e paramilitares sérvios estupraram 60 mil mulheres, muitos deles com o propósito de engravidá-las.” (FOLHA FEMINISTA, 2003, p.2)

Além dos estupros (muitas vezes estupros coletivos e/ou com objetos), em tempos de conflito armado mulheres são vendidas e forçadas a se prostituirem, além de sofrerem com torturas e assassinatos. Por outro lado, se saírem vivas, carregam consigo um imenso abalo psicológico por toda a vida.

Portanto, faz-se necessário o cumprimento das normas propostas no Direito Humanitário Internacional a fim de alterar essa triste realidade, impedindo que tais atrocidades sejam cometidas.

 

Referências

PITANGUY, Jacqueline. OS DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES. Fundo Brasil de Direitos Humanos. Disponível em: <http://www.fundodireitoshumanos.org.br/downloads/artigo_mulheres_jacpit.pdf>. Acesso em: 16 set. 2016

DECLARAÇÃO E PROGRAMA DE AÇÃO DE VIENA: Conferência Mundial sobre Direitos Humanos. CEDIN. Disponível em: < https://www.oas.org/dil/port/1993%20Declara%C3%A7%C3%A3o%20e%20Programa%20de%20Ac%C3%A7%C3%A3o%20adoptado%20pela%20Confer%C3%AAncia%20Mundial%20de%20Viena%20sobre%20Direitos%20Humanos%20em%20junho%20de%201993.pdf >. Acesso em: 16 set. 2016

QUEIROZ, Vanessa de Oliveira (2016, 4 abril). TPI reconhece e condena o estupro como crime de guerra. Consultor Jurídico. Recuperado a partir de http://www.conjur.com.br/2016-abr-04/vanessa-queiroz-tpi-reconhece-estupro-crime-guerra

KESIC, Vesna. O estupro como crime de guerra e o direito internacional. Revista Folha Feminista. Belo Horizonte, n. 41, p. 1-2, abril 2003

CARVALHO, Rita; GUIMARÃES, Arthur; OLIVEIRA, Karinne. Guia de estudos OCHA. O direito humanitário em conflitos armados. 2016. Disponível em: https://17minionuocha.files.wordpress.com/2016/04/guia-ocha-2016-rita-flc3a1via.pdf

Falcão Negro em Perigo – Black Hawk Down

#cinehistória

A indicação de hoje é o filme ‘Falcão Negro em perigo’ (Black Hawk Down). É um filme de ação produzido nos Estados Unidos e baseado nos acontecimentos da guerra civil na Somália, e principalmente retrata o drama vivido pela força de elite estadunidense, numa missão autorizada pelo até então presidente Bill Clinton, onde os helicópteros nomeados de UH-60 Black Hawk foram derrubados, a batalha que foi programada para durar 30 minutos se estendeu por 19 longas e tensas horas, consequentemente causou a morte de 19 soldados estadunidenses, deixou 73 feridos e mais 1000 somalis mortos.

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Em 1993, a guerra civil na Somália, assolava o país. As milícias armadas eram lideradas por Mohammed Farah Aidid (assumiu o controle do país após o golpe de Estado) e participavam de diversos embates contra os próprios civis, o que desencadeou um massacre.  Soldados americanos foram enviados ao local, mas Aidid declarou guerra às forças de paz da Organização das Nações Unidas, com isso uma força de elite foi enviada ao local para derrubar o ditador, na chamada ‘Batalha de Mogadíscio’. A missão tinha como objetivo inicial prender oficiais somalis, mas o objetivo passou a ser o resgate dos companheiros por causa da queda das aeronaves.

As aeronaves usadas no filme são reais e do mesmo modelo utilizado em operações especiais na época e algumas cenas foram obtidas pelos satélites durante a batalha e usadas no filme, permitindo ao filme uma maior fidedignidade aos acontecimentos. O piloto sobrevivente, Mike Durant, foi capturado, mas resgatado 11 dias depois, reforçando o lema “leave no man behind” (deixar nenhum homem para trás). Apesar das cenas tristes, o filme é brilhante e merecidamente, foram conferidos a ele, dois Oscars, de Edição e Som. Ao assistirem o filme é importante estar atento aos armamentos das milícias, a quantidade de envolvidos no conflito, tanto civis desarmados quanto componentes das milícias, atitudes tomadas entre os nativos e a força de elite estadunidense e as mortes ocasionadas, além de uma atenção especial para as cenas reais.

 

 

Referências:

 

ARAÚJO, Rodolfo. A estratégia emergente de Falcão Negro em Perigo. Não posso evitar. Disponível em: <http://www.naopossoevitar.com.br/2009/05/a-estrategia-emergente-de-falcao-negro-emperigo.html&gt;. Acessado em: 15 de Setembro de 2016.

WIKIPÉDIA. Black Hawk Down. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Black_Hawk_Down&gt;. Acessado em: 15 de Setembro de 2016.

Perigos oferecidos por peacekeepers, tropas regulares e irregulares

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A falta de segurança constante em conflitos armados, devido ao combate entre as partes conflitantes, não é o único problema de segurança enfrentado por civis. Estes ainda são vítimas de violência direta, mesmo que não participem do conflito. Essa violência é praticada não somente pelas milícias em combate, mas também por forças de paz.

A violência sexual é a mais comum, tanto que se tornou uma característica base de conflitos armado. Apesar de crianças e mulheres serem as maiores vítimas, é importante frisar que isso acontece também com homens e meninos. Os militares aproveitam do poder que possuem, sobretudo porque estão armados, para coagir e intimidar os civis. Além disso, a violência sexual é também utilizada como tática de guerra “para humilhar, dominar, intimidar, dispersar ou reinstalar à força os membros civis de uma comunidade ou grupo étnico” (UNRIC, 2008).

Os abusos ocorrem também pelos capacetes azuis (militares à serviço das Nações Unidas para realizarem missões de paz). De acordo com um estudo realizado em 1996, a prostituição infantil, assassinatos e violência sexual aumentam com a chegada dessas tropas.  Além de violência sexual, as forças de paz já estiveram envolvidas também em casos de negligência, que ocasionaram na difusão de doenças e morte de civis. É importante relatar que tais fatos, sobretudo a violência sexual, ocorrem por não haver punições e regulamentações suficientes para combatê-la.

Outra grave violação são os ataques a escolas e hospitais. Mais uma vez, esses ataques são táticas de guerra, e pretendem atingir um grupo específico. Sequestros são também perigos que os combatentes oferecem à população civil. Tornou-se muito comum em diversos conflitos o sequestro de crianças, a fim de aterrorizar o oponente. Essas crianças são mutiladas, abusadas e assassinadas. Essa prática é comum em conflitos como na Colômbia e na Somália.  Em países como a Síria, trabalhadores imigrantes e refugiados são presos e torturados tanto pelo governo como pela oposição.

 

REFERÊNCIAS

CARMO, Letícia Maria Antunes; VERONEZI, Aline Siqueira; HARDT,  Lucas Stephan Luz. Guia de estudos: Comitê Especial para as Operações de Manutenção da Paz de 2010 Novos Desafios para a Manutenção da Paz. MINIONU, 2015. Disponível em: https://16minionuc342010.files.wordpress.com/2015/06/guia-de-estudos-c-34-2010.pdf

Diálogo Americas. Tráfico de pessoas e conflito armado. 15 de agosto de 2013. Disponível em: https://dialogo-americas.com/pt/articles/trafico-de-pessoas-e-conflito-armado

UNRIC. Conselho de Segurança exige fim da violência sexual como táctica de guerra. 2008. Disponível em: https://unric.org/pt/mulheres/17999

UNRIC. Violência sexual contra crianças é agora uma característica fundamental dos conflitos armados. 2009. Disponível em: http://www.unric.org/pt/actualidade/25789

 

 

Médicos Sem Fronteiras

Os Médicos Sem Fronteiras ou MSF é uma organização humanitária internacionalmente reconhecida que trabalham frente a crises humanitárias através da ajuda e assistência para qualquer pessoa em necessidade. “A organização foi criada em 1971, na França, por jovens médicos e jornalistas, que atuaram como voluntários no fim dos anos 60 em Biafra, na Nigéria. Enquanto socorriam vítimas em meio a uma guerra civil brutal, os profissionais perceberam as limitações da ajuda humanitária internacional: a dificuldade de acesso ao local e os entraves burocráticos e políticos, que faziam com que muitos se calassem, ainda que diante de situações gritantes. MSF surge, então, como uma organização humanitária que associa ajuda médica e sensibilização do público sobre o sofrimento de seus pacientes, dando visibilidade a realidades que não podem permanecer negligenciadas. Em 1999, MSF recebeu o prêmio Nobel da Paz.” (Médicos Sem Fronteiras).

Um dos maiores problemas enfrentados pela organização diz respeito à atuação e apoio à população que está em áreas de conflitos armados. Atualmente pode-se ver a Síria como um dos maiores obstáculos para os Médicos Sem Fronteiras. No início de Agosto de 2016, por exemplo, atentados e bombardeios na Síria atingiram um dos hospitais apoiados pelos MSF deixando dezenas de feridos e pelo menos 13 mortos. Esta falta de garantia dificulta a eficiência no suporte da organização e muitas vezes força a mesma a retirar o apoio em certas localidades para a segurança mínima dos próprios médicos, enfermeiros e demais voluntários.

O MSF chegou no Brasil em 1991 atuando na região norte do país, mas foi apenas em 2006 que começaram os processos de recrutamento de profissionais e captação de recursos. Atualmente o MSF-Brasil envia 150 brasileiros de diversas especialidades para os diversos projetos existentes ao redor do mundo.

 

Fontes: http://www.msf.org.br/

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